arquivos links wallpapers e-mail
 

 

30.1.04

Ermitão

Meu pai mora sozinho no deserto. Diz que não se adapta às pessoas.

De Sam Shepard, no livro Crônicas de Motel.

Rafiza Ribeiro | 09:12 |


29.1.04

Amor, então
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminsky

Rafiza Ribeiro | 13:24 |


28.1.04



Encontros e desencontros, de Sofia Coppola, é o tipo de filme que faz você virar fã de todo mundo que participou da sua produção. Simplesmente muito bom.

Rafiza Ribeiro | 15:55 |


Federico...


Federico fellini se divertia com o espanto do seu produtor.
- Você está brincando comigo, Federico.
- Não, não. É verdade.
- Não acredito.
- Mas é verdade. Meu próximo filme terá dois personagens. No máximo três.
- Eu estou sonhando.
- E só um cenário.
- Já sei. O Coliseu todo pintado de rosa.
- Não um apartamento.
- Um apartamento enorme...
- Um apartamento de tamanho médio. De classe média. Decoração normal.
- Me belisca. Eu estou sonhando.
- Você não está sonhando.

(...)

- Federico! Olhe aí, eu estou até arrepiado. É tudo com o que sempre sonhei! Uma história intimista. Uma produção sem problemas. Principalmente um orçamento baixo. Até que enfim!
- Que bom que você gostou.
- Tem certeza que não vai querer nem um elefante?
- Nem um gato.
- Deus seja lovado.
- Bem, talvez um gato.
- Certo.
- Caolho.
- Um gato caolho. Não tem problema.
- Dez gatos caolhos.
- Dez?
- Oitocentos.
- Federico...
- Isso. Oitocentos gatos caolhos. Mil. Os gatos estão por todo o apartamento. O casal não consegue sentar ou dormir por causa dos gatos. Os gatos comem a empregada. Os gatos ocupam todo o prédio. Toda a cidade! É isso! A cidade está tomada por gatos caolhos. Milhões de gatos caolhos. Só o casal ainda não foi comido pelos gatos, porque...
- Federico...


Luis Fernando Veríssimo

Rafiza Ribeiro | 15:46 |


27.1.04






























A menina e o passarinho
Nosso amor começou certo dia no banco da praça
Eu a vi segurando um caderno, sentada com graça
Meu olhar encontrou seu olhar mirando um passarinho
Machucado, ferido, sangrando, fora do seu ninho
Ela levantou e se aproximou da pequenina ave
Que tentava em vão atingir o alto da sua árvore
Foi então que a vi derrubar um modesto lencinho
Que depressa apanhei e tentei lhe entregar com carinho

Mas eu pensei que o amor só fosse alegria
Nunca imaginei que amando
Fosse infeliz algum dia

Percebi que o lencinho da moça estava molhado
E eram lágrimas que escorriam do seu rosto pálido
Condoído tentei lhe falar, mas minha voz não saía
Em minha vida inteira jamais moça tão linda eu vira
Estendi minha mão para o lenço à donzela entregar
Mas senti sua mão muito fria como se ela fosse desmaiar
Eu depressa peguei a mocinha e carreguei-a em meu colo
E sem querer esmaguei o bichinho que estava no solo

Mas eu pensei que o amor só fosse alegria
Nunca imaginei que amando
Fosse infeliz algum dia

Sem saber o que eu iria fazer continuei caminhando
A boneca em meus braços caída e eu apaixonado
Eis que então um garoto de mim se aproxima correndo
"Ela é minha irmã e está muito doente" ele foi logo dizendo
Me pediu que levasse a maninha em sua moradia
"Minha mãe já morreu, o meu pai se mandou, moramos com uma tia"
Logo chegamos e assim que adentrei à singela casinha
No sofá estendi com cuidado a minha doce princesinha

Mandei o garoto chamar de imediato o doutor da cidade
Enquanto a tia chorando agradecia a minha caridade
O doutor logo assim que adentrou sua testa franzia
E ao sair me cochichou "Ela só tem poucos dias"
Já era noite e eu tinha que deixar a formosa donzela
Da calçada ainda olhei a menina através da janela
No portão entreguei ao irmão o meu endereço
"Precisamos curar a menina seja qual for o preço"

Mas eu pensei que o amor só fosse alegria
Nunca imaginei que amando
Fosse infeliz algum dia

Passei os dias indo visitar a minha flor mais doente
Meu coração cada vez que a via queimava mais que aguardente
Nem com remédio nem medicamento a menininha melhorava
Cada vez que a pequena me via de tanto chorar os seus olhos inchavam
Mas foi numa manhã que eu ia saindo que o irmão me trouxe a notícia
A menina já estava morrendo era pra eu ir com urgência
Cheguei correndo e a pobre ao me ver falou em seu último suspiro
"Nosso amor só está começando agora que eu me retiro"

De Nando Reis

Rafiza Ribeiro | 17:22 |


Queremos livros que nos afetem como um desatre.

De Kafka.

Rafiza Ribeiro | 00:51 |


26.1.04

Cubismo


Fotografia de Patricia Caldararo

Rafiza Ribeiro | 23:27 |