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26.8.03

...

Quase um mês sem telefone. Estranho. Mas não muito...

Rafiza Ribeiro | 21:33 |


Fotografia de Eric Bean

Fazer pessoas no frasco não é fácil
Mas se eu estudar ciências eu faço.

Sendo que não é melhor do que fazer
pessoas na cama
Nem na rede
Nem mesmo no jirau como os índios fazem.
(no jirau é coisa primitiva, eu sei,
mas é bastante proveitosa)

Pra fazer pessoas ninguém ainda não inventou nada melhor que o amor.
Deus ajeitou isso pra nós de presente.
De forma que não é aconselhável trocar
O amor por vidro.

De Manoel de Barros. O amor.

Rafiza Ribeiro | 21:21 |


19.8.03

Falando nisso...

No banco verde do parque, onde eu lia distraidamente o Almanaque Bertrand, aquela sentença pegou-me de surpresa: "Colhe o momento que passa". Colhi-o, atarantado. Era um não sei que, um flapt, um inquietante animalzinho, todo asas e todo patas: ardia como uma brasa, trepidava como um motor, dava uma angustiosa sensação de véspera de desabamento. Não pude mais. Arremessei-o contra as pedras, onde foi logo esmigalhado pelo vertiginoso velocípede de um meninozinho vestido à marinheira. "Quem monta num tigre (dizia à página seguinte, um provérbio chinês) quem monta num tigre não pode apear."



Aventura no parque, de Mário Quintana

Rafiza Ribeiro | 20:14 |


Respirando

Minha rotina está me afastando de um monte de coisas (ainda bem que o ritmo acelerado termina na sexta-feira). Hoje, cansada de viver como um prático de farmácia (velho Murilo), entrei na Discoteca 2001 e cravei um punhal no cartão de crédito. O saldo, com trocadilho, foi melhor do que eu esperava: comprei o CD que queria há tanto tempo. E ele é uma maravilha! Olha só:



"Everyday I write the list
Of reasons why I still believe they do exist
(a thousand beautiful things)
And even though it's hard to see
The glass is full and not half empty
(a thousand beautiful things)
So... light me up like the sun
To cool down with your rain
I never want to close my eyes again
Never close my eyes
Never close my eyes"

Annie em
A thousand beautiful things





Respiro...

Rafiza Ribeiro | 20:10 |


16.8.03


Enquanto a chuva cai

A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.

Torvelinhai, torrentes do ar!

Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh`alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.

Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.

Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . - ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .

Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!

A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!

Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!

E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.

É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d`água!

Manuel Bandeira

Rafiza Ribeiro | 19:40 |


12.8.03

Partitura


Fotografia de Kamil Vojnar

Rafiza Ribeiro | 21:48 |


O céu está no chão

Rafiza Ribeiro | 21:30 |


5.8.03

...











Mesmo quando a terra dorme, nós viajamos.
Somos as sementes de obstinada planta e, quando maduros e na plenitude de nossos corações, somos espalhados ao vento.

Gibran Khalil Gibran

Rafiza Ribeiro | 09:10 |


3.8.03

Você abusou

Lindo! (481 KB)

Rafiza Ribeiro | 16:02 |




As brancas nuvens

As brancas nuvens pairam sobre Chiu e Chu,
As brancas nuvens vão contigo sempre.
Estão contigo em Chiu, e estão contigo em Chu,
As brancas nuvens vão para onde fores.
Cruzam aflantes sobre o rio Hsiang.
Dormindo, as brancas nuvens são teu leito.
Se acordas, brancas nuvens são teu lar.

Li Po

Rafiza Ribeiro | 14:00 |


Busca

I try to discover/A little something to make me sweeter (...) Soul, I hear you calling/Oh baby please give a little respect to me (Erasure)

Rafiza Ribeiro | 13:56 |


1.8.03

E-mail

Recebi um texto e uma dica ótima da Emma.
Aqui, na íntegra (ou quase, ;O)):

O aniversário de Neruda

O poeta Pablo Neruda, mito da literatura latino-americana no século XX, completaria hoje 99 anos. Neruda nasceu no dia 12 de julho de 1904 na cidade chilena de Parral e, hoje, terá sua memória celebrada em Valparaíso (120 quilômetros a noroeste de Santiago), declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco, no último 3 de julho. A festa deste sábado acontecerá em ¿La Sebastiana¿, a famosa casa que Neruda teve em Valparaíso. Música, leitura de poemas e contos animarão os políticos, escritores, poetas, artistas, artesãos, estudantes e amigos que lá estarão. Mas o autor de ¿Canto geral¿ ¿ obra épica composta de cerca de 250 poemas sobre a natureza, a História e o destino do povo sul-americano ¿ não será lembrado apenas hoje. A proximidade do centenário levou as autoridades locais de Valparaíso e Viña del Mar a criarem uma marca Pablo Neruda, a fim de atrair turistas. O mundo editorial também não perderá, certamente, a chance de exaltar a obra do Nobel de Literatura de 1971, que morreu há 30 anos, 13 dias depois do golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende no Chile, em 11 de setembro de 1973.


PS. Descobri um site onde poderei ler Os Maias.
Trata-se de uma biblioteca virtual de SP cujas
coordenadas sao:
www.bibvirt.futuro.usp.br

Thanks, Emma.

Rafiza Ribeiro | 19:06 |