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31.7.03

Ufa...

Semana correria. Dia de descanso hoje. Dormir. Depois as outras coisas.

Rafiza Ribeiro | 13:02 |


16.7.03

Para meu coração basta o teu peito
para que sejas livre as minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que dormido estava em tua alma.

Tu trazes a ilusão de cada dia.
Chegas como o orvalho nas corolas.
Com tua ausência escavas o horizonte,
Eternamente em fuga, irmã das ondas.

Já disse que o teu canto era o do vento
como cantam os mastros e os pinheiros.
És como eles alta e taciturna.
E entristeces de pronto, como uma viagem.

Acolhedora como antiga senda.
Abrigas ecos e vozes nostálgicas.
Desperto e alguma vez emigram, fogem
pássaros dormidos em tua alma.


Extraído de Veinte poemas de amor y una canción desesperada. Vi no El capitán, Neruda. Roubei.

Rafiza Ribeiro | 10:30 |


15.7.03

Danças de Degas


A escola de ballet


Bailarinas descansando


Bailarinas praticando na barra

Rafiza Ribeiro | 17:18 |


11.7.03

Não vale a pena fazer um esforço?

Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquillidade com que se acolhem as naturaes mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, n'esta placidez, deixar esse pedaço de materia organisada, que se chama o Eu, ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter appetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades.
Ega, em summa, concordava. Do que elle principalmente se convencera, n'esses estreitos annos de vida, era da inutilidade do todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na terra - porque tudo se resolve, como já ensinára o sabio do Ecclesiastes, em desillusão e poeira.
- Se me dissessem que alli em baixo estava uma fortuna como a dos Rothschilds ou a corôa imperial de Carlos V, á minha espera, para serem minhas se eu para lá corresse, eu não apressava o passo... Não! Não sahia d'este passinho lento, prudente, correcto, seguro, que é o unico que se deve ter na vida.
- Nem eu! acudiu Carlos com uma convicção decisiva.
E ambos retardaram o passo, descendo para a rampa de Santos, como se aquelle fosse em verdade o caminho da vida, onde elles, certos de só encontrar ao fim desillusão e poeira, não devessem jámais avançar senão com lentidão e desdem. Já avistavam o Aterro, a sua longa fila de luzes. De repente Carlos teve um largo gesto de contrariedade:
- Que ferro! E eu que vinha desde Paris com este appetite! Esqueci-me de mandar fazer hoje para o jantar um grande prato de paio com ervilhas.
E agora já era tarde, lembrou Ega. Então Carlos, até ahi esquecido em memorias do passado e syntheses da existencia, pareceu ter inesperadamente consciencia da noite que cahira, dos candieiros accêsos. A um bico de gaz tirou o relogio. Eram seis e um quarto!
- Oh, diabo!... E eu que disse ao Villaça e aos rapazes para estarem no Braganza pontualmente ás seis! Não apparecer por ahi uma tipoia!...
- Espera! exclamou Ega. Lá vem um «americano», ainda o apanhamos.
- Ainda o apanhamos!
Os dois amigos lançaram o passo, largamente. E Carlos, que arrojára o charuto, ia dizendo na aragem fina e fria que lhes cortava a face:- Que raiva ter esquecido o paiosinho! Emfim, acabou-se. Ao menos assentamos a theoria definitiva da existencia. Com effeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ancia para coisa alguma...
Ega, ao lado, ajuntava, offegante, atirando as pernas magras:
- Nem para o amor, nem para a gloria, nem para o dinheiro, nem para o poder...
A lanterna vermelha do «americano», ao longe, no escuro, parára. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço:
- Ainda o apanhamos!
- Ainda o apanhamos!
De novo a lanterna deslisou, e fugiu. Então, para apanhar o «americano», os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia.

Trecho final de Os Maias, de Eça de Queiroz.

Rafiza Ribeiro | 16:39 |


7.7.03

Vida Besta



Acabei de descobrir! Onde? Aqui!

Rafiza Ribeiro | 23:35 |


Plágio

Lembrei ontem, buscando uma picaretagem minha na escola que pudesse amenizar as picaretagens dos meus alunos: quando estava fazendo cursinho (1994), fiz uma redação sobre crianças de rua que era, na verdade, plágio de A flor e a náusea, do Carlos Drummond. Todo o meu trabalho consistiu em transformar o que era poesia em prosa. Pois bem. Tirei 2,69 (até hoje acho essa somatória um mistério). E fiquei triste (na maior cara-de-pau). Afinal, achava que havia feito uma adaptação digna.
Mas a surpresa maior ficou para o final: meu professor de Redação não conhecia o poema do Drummond. Pronto. Me senti vingada e justiçada. Ah, meu Deus, as petulâncias da adolescência... Que bom que passam.



P.s.: escrevo esta confissão não sem um pouquinho de vergonha... ;O)
Não me lembro de ter sido tão picareta em algum outro momento da vida.

Rafiza Ribeiro | 22:32 |


6.7.03

Rodeio


Vi aqui.

Rafiza Ribeiro | 13:04 |