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30.5.03











Quantas palavras de amor
Morrem
No apontador

Millôr Fernandes

Rafiza Ribeiro | 09:42 |


29.5.03

Bembos's Zoo

Um zoológico feito de letras.

Rafiza Ribeiro | 10:05 |


27.5.03

Feio


Rafiza Ribeiro | 00:11 |


26.5.03

This is a war and we are soldiers

Fui ver Matrix Reloaded ontem. Adoro o primeiro filme da trilogia (ainda incompleta).
Fui com medo. Sequências quase nunca rendem bons filmes.
Mas fui, vi e gostei.
Obviamente, o impacto do primeiro filme nunca mais poderá ser reproduzido. Mas Reloaded tem seus encantos.
No primeiro filme, começávamos sem entender nada. Neste, terminamos sem entender muita coisa.
E aí, surgem as discussões, os pontos de vista discordantes, entre gente que adorou e gente que odiou.
Eu estou entre os primeiros. Como diz a personagem de Laurence Fishburn, Morpheus, "this is a war, and we are soldiers". Que delícia discutir cinema e ver que ninguém é obrigado a gostar das mesmas obras. Sem medo de ser feliz.

Rafiza Ribeiro | 23:49 |


25.5.03

Apertando Afrouxando os...


Fotografia: Todd MacMillan

Rafiza Ribeiro | 14:25 |


Convite

Tenho vontade de vos conclamar para uma grande manifestação pública, mas cada um onde estiver, no ônibus galopante, diante da mesa ou em casa ou na rua; deitado em sua cama, no chuveiro ou no trabalho. Uma grande manifestação de boa vontade e boa fé. Vamos fazer isso em silêncio, e depois não comentaremos. Vamos agradecer a brisa na cara suada; a mulher com luz nos olhos; o menino, a onda, o passaro, o chão.

O bom chão; dormir no chão. Morrer, descansar no bom umido chão, não mais imprudente, não mais aflitos, não mais aflitos!

Trecho da crônica Não mais aflitos, de Rubem Braga.

Rafiza Ribeiro | 13:41 |


De estranhezas

Por que amamos? É realmente estranho ver no mundo apenas um ser, ter no espírito um único pensamento, no coração um único desejo e na boca um único nome: um nome que ascende ininterruptamente, que sobe das profundezas da alma como a água de uma fonte, que ascende aos lábios, e que dizemos, repetimos, murmuramos o tempo todo, por toda parte, como uma prece.

Não vou contar a nossa história. O amor só tem uma história, sempre a mesma.

Guy de Maupassant

Rafiza Ribeiro | 13:18 |


Coisas Novas

Comidinhas, belas imagens, música da vez, livro da hora...

Rafiza Ribeiro | 13:05 |


23.5.03

Lei da gravidade

Hoje fez muito sol em Brasília. Nenhuma nuvenzinha no céu, muita luz para todos os lados.
Quem mora aqui sabe que o céu abocanha a cidade.
Quando ele está assim - azul, azul - dá vontade de andar de cabeça pra baixo.

Rafiza Ribeiro | 15:53 |


22.5.03

Mude

A Camila Bossolan já colocou no ar o novo filme MUDE. Vale a pena conferir!

Rafiza Ribeiro | 09:45 |


19.5.03

Pequenas cenas da vida





Fotografias: Getty Images

Rafiza Ribeiro | 14:01 |


O Avesso dos Ponteiros

Sempre chega a hora da solidão
Sempre chega a hora de arrumar o armário
Sempre chega a hora do poeta a plêiade
Sempre chega a hora em que o camelo tem sede
O tempo passa e engraxa a gastura do sapato
Na pressa a gente não nota que a lua muda de formato
Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
Confundo a vida ser um longa-metragem
O diretor segue seu destino de cortar as cenas
E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos
E já não vai mais ao cinema

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

Penso quando você partiu assim sem olhar pra trás
Como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais
Os carros na minha frente vão indo e eu nunca sei pra onde
Será que é lá que você se esconde?

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

A idade aponta na falha dos cabelos
Outro mês aponta na folha do calendário
As senhoras vão trocando o vestuário
As meninas viram a página do diário
O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício

Tudo cresce e o início
Deixa de ser início
E vai chegando ao meio
Aí começo a pensar que nada tem fim
Que nada tem fim

Ana Carolina

Rafiza Ribeiro | 13:46 |


18.5.03

Fobias (Trecho)

Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número 13), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutemberomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham "Frio" e "Quente" escritos por extenso, para saciar minha sede de letras.

(...)

Mas e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
- Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...
- Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
- Infelizmente eu não tenho nehuma revista.
- Não é possível! O que você faz durante a noite?
-Tricô.
Uma esperança!
- Com manual?
- Não.
Danação.
- Você não tem nada para ler? Na bolsa, sei lá.
- Bem... Tem uma carta da mamãe.
- Manda!

Luis fernando Veríssimo

Rafiza Ribeiro | 10:28 |


Bom...


Rafiza Ribeiro | 10:15 |


15.5.03

O cinema e eu (Trecho)

Também há a fase em que filme bom é filme difícil. Filme que todo mundo compreende não pode ser bom. Isso passa. Vem uma fase de gostar de filmes que todo mundo gosta, mas por razões diferentes. E a fase nostálgica: filme bom só de 1953 para trás. Finalmente, a rendição. A paixão continua, mas você já não tem o mesmo entusiasmo de antigamente. Antes você tinha na ponta da língua seus três diretores preferidos, hoje confunde um pouco, é tanta gente, que fim levou o Laslo Benedeck? Teve sábado em sua vida em que você foi à sessão das oito, das dez e da meia-noite, depois pegou o último bonde no abrigo, lamentando que só vira três filmes. Hoje é difícil estacionar o carro, os cinemas não têm conforto, tem sempre o mesmo casal na fila de trás que não pára de falar, e ainda por cima vão passar um antigo com o Humphrey Bogart na TV... E você trai o cinema. Calhordamente, você esquece tudo o que ele fez por você e o abandona.

De Luis Fernando Veríssimo.


P.S.: Ainda estou na fase dos três filmes aos sábados.

Rafiza Ribeiro | 10:22 |


11.5.03

Sobre mães

I



"O rosto dele me olhando é lindo, só quer ficar comigo. Sabe, parece que ele ainda está dentro do meu corpo, pois não consigo ficar longe dele.
Ele conversa comigo um monte de coisas que eu não consigo entender.
Sabe como estou estudando?
Coloco ele no bebê-conforto em cima da escrivaninha e ele fica lá me olhando até dormir..."

Trecho de carta da minhã irmã Taíse, mãe há quatro meses.


II

"A minha mãe não escrevia poesia, pelo menos não abertamente, mas eu sei que no fundo ela o fazia. Disso estou absolutamente certo. E tudo o que sou hoje é na verdade a reprodução dela. A rosa a que eu me refiro num dos meus poemas é uma reprodução dela. Por isso, na casa de meus pais havia uma espécie de atmosfera literária. Éramos instigados para estarmos interessados pela poesia, mas é claro, de uma forma muito modesta"

Trecho de entrevista concedida por Antônio Gedeão.

III

Estes textos são dedicados a todas as mães que escrevem a poesia da vida. FELIZ DIA DAS MÃES!



Fotografias: Anne Geddes

Rafiza Ribeiro | 11:30 |


9.5.03

ilustração de julia beaulieu, feita com apenas seis anos de idade



Os gatos da tinturaria

Os gatos brancos, descoloridos,
passeiam pela tinturaria,
miram policromos vestidos.

Com soberana melancolia,
brota nos seus olhos erguidos
o arco-íris, resumo do dia,

ressuscitando dos seus olvidos,
onde apagado cada um jazia,
abstratos lumes sucumbidos.

No vasto chão da tinturaria,
xadrez sem fim, por onde os ruídos
atropelam a geometria,

os grandes gatos abrem compridos
bocejos, na dispersão vazia
da voz feita para gemidos.

E assim proclamam a monarquia
da renúncia, e, tranqüilos vencidos,
dormem seu tempo de agonia.

Olham ainda para os vestidos,
mas baixam a pálpebra fria

Cecília meireles



Para Taíse, que pintava os gatos "brancos, descoloridos" com tinta guache quando éramos crianças.

Rafiza Ribeiro | 16:00 |


Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente,
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Adélia Prado

Rafiza Ribeiro | 15:46 |


5.5.03

Cheek to cheek

Heaven, I'm in heaven
And my heart beats so that I can hardly speakGinger e Fred
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek

Heaven, I'm in heaven
And the cares that hung around me through the week
Seem to vanish like a gambler's lucky streak
When we're out together dancing (swinging) cheek to cheek

Oh I love to climb a mountain
And reach the highest peak
But it doesn't thrill (boot) me half as much
As dancing cheek to cheek

Oh I love to go out fishing
In a river or a creek
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek

(Come on and) Dance with me
I want my arm(s) about you
That (Those) charm(s) about you
Will carry me through...

(Right up) To heaven, I'm in heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing, out together dancing (swinging)
Out together dancing cheek to cheek

Música de Irving Berlin , incomparável na voz do Sinatra

Rafiza Ribeiro | 15:39 |


Soneto de Orfeu

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes

Rafiza Ribeiro | 15:32 |


3.5.03

Velha fábrica



Fotografia de Mike Savad

Rafiza Ribeiro | 10:00 |


2.5.03

Foi um momento

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?
Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve! ...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
'Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço ?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa

Rafiza Ribeiro | 19:18 |


1.5.03

Dia do Trabalho

As condições de trabalho ainda eram muito difíceis em 1886, passados 100 anos da Revolução Industrial. A desorganização do proletariado como classe contribuía para que os patrões não reconhecessem os direitos dos funcionários. Os salários eram baixíssimos e a população vivia em péssimas condições. Aos poucos, a classe trabalhadora conseguiu se unir e colocou em discussão as reivindicações do proletariado. Entre elas estavam reajustes salariais e diminuição da jornada de trabalho.

Enquanto a França, a Inglaterra e a Alemanha já haviam reconhecido os direitos trabalhistas, nos Estados Unidos os empregados ainda lutavam contra a falta de atitude dos governantes. Em 1º de maio de 1886, durante um confronto entre grevistas e a polícia, a explosão de uma bomba deixou quatro manifestantes e três policiais mortos. Oito líderes do movimento foram presos, sete condenados à morte e um à prisão perpétua. Este foi o episódio mais lembrado, anos mais tarde, quando os países industrializados decidiram escolher uma data para comemorar a luta dos trabalhadores pelo seus direitos.

Fonte: Guia dos Curisosos

Rafiza Ribeiro | 11:13 |