arquivos links wallpapers e-mail
 

 

27.2.03

O que se leva da vida é a vida que...


Fotografia de Admir Buljubasic

Rafiza Ribeiro | 10:32 |


Canto XXXIV (trecho)

"(...) Buchanan, a sombra de uma sombra,
                    Scottt, daguerreótipo de uma aparência
O Sr. Dan Webster parlapateando, o nariz de Tyler atravessando a muralha
Canos de armas, nogueira negra...
                                             

Estas palavras eu li numa pirâmide, escritas em inglês e hebraico.
A procissão dos bombeiros à luz de archotes,
Procissão dos bombeiros à luz de archotes,
A ciência como um princípio de ação política

               Procissão dos bombeiros à luz de archotes!
Proporcionando aos habitantes livres (21 de dezembro de 43)
Eletromagnético (Morse)

     Constam proposito...
                              Justum et Tenacem"

Ezra Pound

Rafiza Ribeiro | 10:19 |


23.2.03

No teu poema

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta uma varanda para o mundo

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora d'Agonia e o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem fala

No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vezes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do mundo
Existe tudo mais que ainda me escapa
É um verso em branco à espera
Do futuro

José Luis Tinoco

Rafiza Ribeiro | 23:19 |


Deus?



Roubado dela...

Rafiza Ribeiro | 11:21 |


20.2.03

Quando a beleza se desperta, abre as portas do dia;
quando adormece, acende as estrelas do céu;
quando sonha, calam todos os poetas;
quando chora, tremem todas as almas e,
quando reza, cala o homem, cala o vento e se ajoelham os anjos.

Santiago Rusinõl

Rafiza Ribeiro | 12:35 |


19.2.03

Uma solteirona e um bebê









Ganhei um hamster de uma aluna. Estou que nem mãe de primeira viagem...

Rafiza Ribeiro | 13:45 |


18.2.03

Quem?

"O que move o homem: o medo ou a preguiça?". Vi essa frase outro dia num filme. Hoje, estou pura preguiça...

Rafiza Ribeiro | 20:20 |


16.2.03

Descansando as asas



Imagem: Getty Images,com frase de Antoinette Sampson.

Rafiza Ribeiro | 15:03 |


Hiroshima, mon amour

Era início da colheita. Os lavradores estavam trabalhando
duro para terminar o colheita o mais rápido que pudessem porque
quem chegasse primeiro ao mercado da cidade iria vender
seus produtos pelos melhores preços.

Um rapaz tinha trabalhado muito com seu pai. Ele tinha
Planos de comprar um pedaço de terra para ele. E por causa
do esforço dele, a produção foi abundante e ele estava muito
ansioso para chegar à cidade e vender a produção.

Depois de colher, limpar e ensacar a colheita, ele trabalhou
horas noite adentro para carregar o caminhão. O pai dele
pediu que ele descansasse um pouco. E tivesse mais paciência.
Ele disse que queria ser o primeiro a chegar no mercado. E
Terminou de carregar o caminhão.

De manhã cedinho, no que estão para sair, vem uma tempestade
e chove horas a fio. O filho fica muito zangado com a tempestade.
O pai, sentado quieto perto da janela ficou espiando a chuva,
lembra o filho que ele deveria ser mais paciente. Quando a
Chuva passa, eles partem.

A chuva tinha tornado as estradas em um lamaçal, o que ia
atrasar a viagem em quase um dia. O filho fica furioso. O pai
lhe pede para ser mais paciente.

Para aumentar ainda mais o atraso, na metade do caminho,
O caminhão quebra e o conserto ia atrasar a viagem mais
meio dia. O rapaz fica enfurecido, chuta o caminhão e xinga
um monte de palavrões. O pai pede a ele mais paciência
com as coisas.

Depois de consertarem o caminhão, eles estão exaustos. O pai
diz que é melhor eles passarem a noite ali e o filho, mesmo
querendo seguir viagem, concorda.

De manhã cedinho, antes do sol nascer, eles já estão na estrada.
No caminho, eles ouvem um forte trovão e um relâmpago ao
longe. O filho fica mais impaciente. Mais chuva. Ele xinga. Já era
para eles terem chegado no mercado faz dois dias. O pai lhe pede
mais paciência.

Eles chegam numa passagem da estrada de onde se avistava
a cidade. Assombrados, olham para a devastação.

Era o dia 6 de agosto de 1945, em Hiroshima.


Desconheço o autor.

Rafiza Ribeiro | 15:00 |


Glup!

Nunca pensei que fosse dizer isso, mas adorei o CD dessa menina...

Rafiza Ribeiro | 13:05 |


14.2.03

Esnobe


































Rafiza Ribeiro | 00:59 |


13.2.03

Reflexo

Andrea Doria coloca bem isso, a questão da juventude, ter sonhos, fazer planos e esbarrar neste mundo de hipocrisia, de mentira, do capitalismo, de consumismo e a gente fica sem saber o que fazer. Andrea Doria é um navio mesmo. A idéia era fazer uma imagem meio E La Nave Va e coisas que talvez eu nunca me lembre porque entraram na letra. Na hora de escolher o título da música fizemos um monte de mitologias para a coisa ficar legal. Eu me lembro que Andrea Doria é um navio que afundou, a idéia era para ser: naufrágio. E no caso Andrea Doria é uma menina. O que ligou a música toda foi uma conversa que eu tive com a Luciana, mãe do Bi , e com a Tetê , no Crepúsculo de Cubatão . As duas estavam reclamando da vida ser muito difícil e a Tetê estava meio deprimida. Fiquei pensando: "Que coisa chata". Porque eram coisas que eu sentia também. Nem sempre adianta ser bom, ser honesto. (Trecho de entrevista com Renato Russo, falando da música Andrea Doria).

Estou me sentindo meio Andrea hoje.

Rafiza Ribeiro | 01:28 |


O artista inconfessável

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre o fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.

João Cabral de Melo Neto

Rafiza Ribeiro | 01:21 |


12.2.03

No doubt

Pra quem ficou na dúvida: a caricatura abaixo é o Martin Scorsese.

Rafiza Ribeiro | 17:51 |


11.2.03

O maestro

ilustração de eric white

Rafiza Ribeiro | 02:09 |


9.2.03

Oscar

Já premiei o melhor ator do ano: Daniel Day-Lewis, por Gangues de Nova Iorque

Rafiza Ribeiro | 22:09 |


8.2.03

Filtro solar

Senhoras e senhores da turma de 99.
Usem filtro solar.
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: - Usem filtro solar.
Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro foram cientificamente provados.
Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Eis aqui um conselho:
Desfrute do poder e da beleza de sua juventude.
Óh, esqueça. . .
Você só vai compreender o poder e a beleza de sua juventude quando já tiverem desaparecido.
Mas, acredite em mim, dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você e eram realmente fabulosas.
Você não é tão gordo ou gorda quanto você imagina.
Não se preocupe com o futuro.
Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete.
É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você as quatro da tarde de alguma terça-feira ociosa.
Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora.
Cante. . .
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.
Não tolere àqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.
Relaxe. . .
Não perca tempo com a inveja.
Algumas vezes você ganha, algumas vezes você perde.
A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você.
Lembre-se dos elogios que recebe.
Esqueça os insultos. ( Se conseguir fazer isso, me diga como ! ).
Guarde suas cartas de amor.
Jogue fora seus velhos extratos bancários.
Estique-se. . .
Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos vinte e dois anos, nenhuma idéia do que fariam na vida.
Algumas pessoas interessantes de quarenta anos que conheço, ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja gentil com seus joelhos.
Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.
O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais.
Todas as suas escolhas têm 50% de chance de dar certo, como as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder.
Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensem dele.
Ele é seu maior instrumento.
Dance. . .
Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.
Não leia revistas de beleza.
A única coisa que elas fazem é mostrar você como pessoa feia.
Saiba entender seus pais.
Você nunca sabe a falta que vai sentir deles.
Seja agradável com seus irmãos, eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
Entenda que amigos vão e vêm, mas que há um punhado deles preciosos, que você tem que guardar com carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos, geográficos e da vida, porque quanto mais você envelhece tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.
More em Nova York, mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoa dura.
More no norte da Califórnia, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa mole.
Viagem. . .
Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir; os políticos são todos mulherengos; você também vai envelhecer.
E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram acessíveis, os políticos eram nobres de alma e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite as pessoas mais velhas.
Não espere apoio de ninguém.
Talvez você tenha uma aposentadoria.
Talvez tenha um cônjuge rico, mas, você nunca sabe quando um ou outro podem desaparecer.
Não mexa muito com seu cabelo.
Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclar por um preço maior do que realmente vale.
Mas, acredite em mim quando eu falo do filtro solar. . .



Recebi a dica do "Filtro Solar" de uma amiga e saí procurando o texto acima e o vídeo correspondente na Internet. Já conhecia o filme, mas achava que havia sido uma montagem feita pelo namorado (publicitário) de uma amiga, como um presente de aniversário mais elaborado e original. Santa ingenuidade! Era só uma cópia do "Filtro Solar".
Bom, procurei e encontrei um atalho no blog do Fernando Costa.
Quando leio textos assim, quando assisto a imagens assim, quando meus ouvidos são tocados por músicas assim, não me canso de pensar no Drummond, que dizia que a história dele era mais bonita que a do Robinson Crusoé. Fecho os olhos e digo: a minha também é.

Assista ao vídeo.

Rafiza Ribeiro | 15:57 |


7.2.03

O poder de um só

Uma das campanhas que mais me emocionaram nos últimos anos...
Power of one, da organização não-governamental One earth.

Rafiza Ribeiro | 14:28 |


O cachorro



Do quarto próximo, chega a voz irritada da arrumadeira:
- Meu Deus! a gente mal estende a cama e já vem esse cachorro deitar em cima! Salta daí pra fora!
E Lili, muito formalizada:
- Finoca! o cachorro tem nome!

Mário Quintana

Rafiza Ribeiro | 13:42 |


Já tem o seu?


Rafiza Ribeiro | 13:33 |


3.2.03

O lago

Não deves recusar o esforço, porque ele é um caminho.

Num lugar que terás de descobrir - que fica sempre alto e longe - existe para ti uma lagoa meio escavada na rocha, com relva muito verde em parte das margens e cantos alegres de pássaros calmos.

Encontram-se lá os que amas, fortes e generosos. Sorridentes.

Há sol e também a sombra de altas árvores. Por cima, apenas o céu, à distância de um último salto.

Não é um destino inevitável, mas um lugar onde és esperado e que podes, ou não, alcançar, conforme a medida do teu desejo. Só quando lá chegares terás alcançado toda a tua envergadura. Só lá te encontrarás contigo mesmo.

Existes para chegar a esse lago. Os teus olhos são capazes de pousar nas suas águas limpas, que reflectem já o céu que lhes há por cima.

Não se pode querer mal aos caminhos que conduzem a lugares assim, embora sejam escarpados e se torne impossível evitar ferimentos e cansaços quando se segue por eles.

Se o teu desejo de chegar for grande, nenhum esforço te parecerá demasiado penoso. E, embora vás a caminho, terás sempre contigo qualquer coisa que é já de ter chegado. Talvez uma certa forma de olhar, resultante daquela luz que se acende por dentro quando nos pomos a caminho dispostos a tudo o que aparecer.

E nem haverá problema se a morte te encontrar assim, ainda no gesto de subir: já tens em ti o teu lago, na imagem dele que te fez partir.

Não deves recusar a dor, porque ela te constrói, te marca os limites e te faz crescer por dentro dos teus muros.

Sem ela, não passarias de um projecto do homem que hás-de ser. Ela edifica-te os músculos, a cabeça e o coração, e não existe outra maneira de chegares a ser aquilo que deves vir a ser.

Se não sofresses não haveria ninguém dentro de ti.

No cumprimento sério dos teus deveres, encontrarás a dor na forma de esforço e de cansaço.

Mas pode muito bem ser que, tarde ou cedo, ela te procure sem disfarces e te faça chorar ou gemer. É frequente que ela se apresente assim, numa nudez que parece cruel e faz lembrar facas ou agulhas.

Nem por isso te deves assustar ou desistir.

Quando te parecer que tudo está perdido, ri-te, se puderes. É que te estão a oferecer um degrau que te deixará incomparavelmente mais acima no caminho. Deves ver nisso o sinal de que - por qualquer razão - é tempo de andares depressa.

Sobretudo, não te queixes. Há assim metamorfoses que parecem aniquilar, mas não passam de formas de fazer surgir a borboleta.

Não te queixes, porque receberás umas asas e cores novas.

O teu lago - de onde de tão perto se pode olhar o céu - tem um preço que tu saberás dar e não é tão grande assim.

Daqui...

Rafiza Ribeiro | 17:14 |