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26.12.02

Férias

São Luís do Maranhão

Rafiza Ribeiro | 12:19 |


16.12.02

A menininha e o gerente

- Não, paizinho, não! Quero ir com você!
- Mas meu bem, não posso levar você lá. O lugar não é próprio. Não vou demorar nada, só dez minutos. Seja boazinha, fique me esperando aqui.
- Não, não! - a garotinha soluçava. Agarrou-se à calça do pai como quem se agarra a uma prancha no mar.
Ele insistia:
- Que bobagem, uma menina de sua idade fazendo um papelão desses.
- Você não volta!
- Volto, ora essa, juro que volto, meu amor.
Prometendo, ele passeava o olhar pela rua, impaciente. Ela baixara a cabeça, chorando. Estavam diante da papelaria. O gerente assistia à cena. O homem aproximou-se dele:
- Faz-me o obséquio de tomar conta de minha filha por alguns instantes? Vou a um lugar desagradável, não posso levá-la comigo.
- Mas...
- Quinze minutos no máximo. É ali adiante. Muito obrigado, hein?
E sumiu. A garotinha continuava de olhos baixos, imóvel, o dorso da mão esquerda junto à boca. O gerente passou-lhe a mão nos cabelos, de leve.
- Vem cá.
Ela não se mexeu.
- Como é que você se chama? Carmen? Luísa? Marlene?
Como não respondesse, o gerente foi desfiando nomes, sem esperança de acertar. Mas ao dizer "Estela", a cabecinha moveu-se, confirmando.
- Estela, você sabe que está com um vestido muito bonito?
Estela tirou a mão dos olhos, examinou o próprio vestido e não disse nada.
Mas o gelo fora rompido. Daí a pouco o gerente mostrava-lhe a caixa registradora e autorizava-a a marcar uma venda de 200 cruzeiros.
- Olha um gatinho. Ele mora aqui?
- Mora.
- E que é que ele come?
- Papel.
- Mentiroso!
- Então pergunte a ele.
O gato acordou, deixou-se afagar e tornou a dormir, desta vez nos braços de Estela.
O gerente olhou o relógio; tinham se passado quinze minutos, o homem não aparecia. "Bonito se ele não vier mais. Que vou fazer com esta garotinha, na hora de fechar?"
Tentou lembrar o rosto do desconhecido; impossível. Já pensava em telefonar para a polícia, quando Estela o puxou pela perna:
- Além da máquina e do gatinho, você não tem mais nada para me mostrar?
Ele abarcou com a vista a loja toda e sentiu-a mal sortida, pobre. "Eu devia ter aberto uma loja de brinquedos, pelo menos um bazar." Experimentou com Estela o apontador de lápis, o grampeador. E o homem não vinha. É, não vem mais. Estela andava de um lado para outro, dona do negócio. Ele, inquieto.
- Não mexa nas gavetas, filhinha.
- Não sou sua filhinha.
- Desculpe.
- Desculpo se você deixar eu abrir.
- Então deixo.
Dentro havia balões, estrelinhas, saldo do último Natal. E ele que não se lembrava daquilo. Estela riu de sua ignorância, e o homem não vinha. O movimento de fregueses declinava. Na calçada, as filas de lotação iam crescendo. Daí a pouco, a noite.
Estela soprou um balão, outro, quis soprar dois ao mesmo tempo. Um estourou. Ela assustou-se. Ele riu.
"Se o homem não aparecesse mais, que bom! Aliás, a cara dele era de calhorda. Ainda bem que me escolheu." Levaria Estela para casa, a mulher não ia estranhar, fariam dela uma filha - a filha que praticamente não tinham mais, pois casara e morava longe, no Peru. E se o pai reclamasse depois? Ora, quem entrega sua filha a um estranho, diz que vai demorar quinze minutos, passa uma hora e não volta, merece ter filha?
O empregado arriava a cortina de aço quando apareceram duas pernas, um tronco inclinado, uma cabeça.
- Dá licença? Demorei mais do que pensava, desculpe. Muito obrigado ao senhor. Vamos, filhinha.
O gerente virou o rosto, para não ver, mas chegou até ele a despedida de Estela:
- Até logo, homem do balão!
E a filha ficou mais longe ainda, no Peru.

Carlo Drummond de Andrade

Rafiza Ribeiro | 00:13 |


14.12.02

Ilustração de Axel Meintker
Até o fim

Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Inda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim

Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim

Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim

Não tem cigarro, acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim

Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Chico Buarque

Rafiza Ribeiro | 21:00 |


Ilustração de Anne Gerdes



Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
- Vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
(dor não é amargura).
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
                                                 Eu sou.

                                                 Adélia Prado

Rafiza Ribeiro | 20:41 |













Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus?, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco?

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

Rafiza Ribeiro | 18:29 |


10.12.02

Mãe e filho


Desenho de Audrey Hepburn.

Rafiza Ribeiro | 22:34 |


O poema de Audrey

For attractive lips, speak words of kindness.
For lovely eyes, seek out the good in people.
For a slim figure, share your food with the hungry.
For beautiful hair, let a child run his fingers through it once a day.
For poise, walk with the knowledge you'll never walk alone ...
People, even more than things, have to be restored,
renewed, revived, reclaimed
and redeemed and redeemed and redeemed.
Never throw out anybody.
Remember, if you ever need a helping hand,
you'll find one at the end of your arm.
As you grow older you will discover that you have two hands.
One for helping yourself, the other for helping others.

Ao contrário do que muitos pensam, o poema acima não é de autoria de Audrey, mas sim de Sam Levenson, que o escreveu para seus netos. Time Tested Beauty Tips (é assim o nome do poema), entretanto, era um de seus preferidos, sempre presente em suas leituras para crianças.

Rafiza Ribeiro | 22:27 |


Trilha sonora para uma foto

Audrey Hepburn
Moonriver

Rafiza Ribeiro | 22:11 |


Lisete

Uma tarde eu estava andando pelas ruas para comprar presentes de Natal. As ruas estavam muito cheias de pessoas comprando presentes. No meio daquela gente toda vi um agrupamento, fui olhar: era um homem vendendo vários micos, todos vestidos de gente e muito engraçados. Pensei que todos de casa iam ficar adorando o presente de Natal, se fosse um miquinho. Escolhi uma miquinha muito suave e linda, que era muito pequena. Estava vestida com saia vermelha e usava brincos e colares baianos. Era muito delicada conosco e dormia o tempo todo.
Foi batizada com o nome de Lisete. Às vezes, parecia sorrir pedindo desculpas por dormir tanto. Comer, quase não comia, e ficava parada num cantinho só dela.
No quinto dia comecei a desconfiar que Lisete não estava bem de saúde. Pois não era normal o jeito calado dela.
No sexto dia quase dei um grito quando adivinhei: "Lisete está morrendo! Vamos levá-la a um veterinário!" Veterinário é médico que só cuida de bichos.
Ficamos muito assustados porque já amávamos Lisete e sua carinha de mulher. Ah, meu Deus, como nós gostávamos de Lisete! E como nós queríamos que ela não morresse! Ela já fazia parte de nossa família. Enrolei Lisete num guardanapo e fomos de táxi correndo para um hospital de bichos. Lá deram-lhe imediatamente uma injeção para ela não morrer logo. A injeção foi boa que até parecia que ela estava curada para sempre, porque de repente ficou tão alegre que pulava de um canto para outro, dava guinchos de felicidade, fazia caretinhas de macaco mesmo, estava doida para agradar a gente. Descobrimos, então, que ela nos amava muito e que não demonstrava antes porque estava tão doente que não tinha forças.
Mas, quando passou o efeito da injeção, ela de repente parou de novo e ficou toda quieta e triste na minha mão. O médico então disse uma coisa horrível: que Lisete ia morrer.
Aí compreendemos que Lisete já estava muito doente quando a comprei. O médico disse que não se compram macacos na rua porque às vezes estão muito doentes. Nós perguntamos, muito nervosos:
- E agora? Que é que o senhor vai fazer?
Ele respondeu assim:
- Vou tentar salvar a vida de Lisete, mas ela tem que passar a noite no hospital.
Voltamos para casa com o guardanapo vazio e o coração vazio também. Antes de dormir, pedi a Deus para salvar Lisete.
No dia seguinte, o veterinário ligou avisando que Lisete tinha morrido durante a noite. Compreendi então que Deus queria levá-la. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas e não tinha coragem de dar esta notícia ao pessoal de casa. Afinal, avisei e todos ficaram muito, muito tristes. De pura saudade, um de meus filhos perguntou:
- Você acha que ela morreu de brincos e colar?
Eu disse que tinha certeza que sim e que, mesmo morta, ela continuaria linda.
Também de pura saudade, o outro filho olhou para mim e disse, com muito carinho:
- Você sabe, mamãe, que você se parece muito com Lisete?
Se vocês pensam que eu me ofendi porque me parecia com Lisete, estão enganados. Primeiro, porque a gente se parece mesmo com um macaquinho; segundo, porque Lisete era cheia de graça e muito bonita.
- Obrigada, meu filho - foi isso que eu disse a eles e dei-lhe um beijo no rosto.
Um dia desses vou comprar um miquinho com saúde. Mas esquecer Lisete?

De Clarice Lispector, do livro A mulher que matou os peixes

Rafiza Ribeiro | 07:42 |


9.12.02

Um livro


Imagem: Getty Images- Is it a book?

Sorri da pergunta: tenho vivido uma parte de minha vida no meio de livros, conheço livros, lido com livros, sou capaz de distinguir um livro à primeira vista no meio de quaisquer outros objetos, sejam eles garrafas, tijolos ou cerejas maduras - sejam quais forem. Aquilo não era um livro, e mesmo supondo que houvesse livros encadernados em louça, aquilo não seria um deles: não parecia de modo algum um livro. Minha resposta demorou no maximo dois segundos:

- No, it's not!









Trecho da crônica Aula de inglês, de Rubem Braga

Rafiza Ribeiro | 03:07 |


7.12.02

Fashion victim


McArthur Photography

Rafiza Ribeiro | 14:03 |


6.12.02

O ensino

Então um Professor disse:

- Fala-nos do Ensino.

E ele respondeu:

- Nenhum homem vos pode revelar nada
que não repouse já meio adormecido
na manhã do vosso conhecimento.
O mestre que caminha à sombra do templo,
entre os discípulos,
não reparte a sua sabedoria
mas antes sua fé e seu amor.

Se for verdadeiramente sábio,
não vos convidará
a entrar na casa da sabedoria,
mas levar-vos-á
aos umbrais do vosso próprio espírito.

O astrônomo pode falar-vos
da sua compreensão do espaço,
mas não pode dar-vos a sua compreensão.

O músico pode cantar para vós
a melodia que enche todo o espaço,
mas não pode dar-vos o ouvido
que aprende o ritmo
nem a voz que lhe devolve o eco.

E o que é versado na ciência dos números,
pode falar nas relações dos pesos e medidas,
mas não pode levar-vos até lá.

Porque a visão de um homem
não pode emprestar as suas asas
a outro homem.

E assim como cada um de vós
se aguenta sozinho no conhecimento de Deus,
assim deve estar sozinho
no seu conhecimento de Deus
e na compreensão da terra.

Gibran Khalil Gibran, em O profeta

Rafiza Ribeiro | 14:54 |


Recompensas

Lecionar apresenta, às vezes, algumas dificuldades.
De vez em quando você se pergunta: será que seu esforço está valendo a pena?
Mas, quando chegam as recompensas, não há dinheiro no mundo que pague a satisfação de estar transmitindo conhecimento e melhorando, de alguma forma, a vida de um outro ser humano.
Digo tudo isso porque ontem, ao chegar na faculdade onde dou aula, uma aluna me surpreendeu com um livro de presente. O que me chamou a atenção não foi tanto o livro (O espelho e a máscara, do Ciro Marcondes Filho, que adorei!), mas a forma com que ele me foi entregue, como uma maneira de demonstrar profunda gratidão, a mesma gratidão que achei expressa na dedicatória. Me digam: há dinheiro no mundo que pague isso?

Rafiza Ribeiro | 12:47 |


5.12.02

Nas alturas (título meu)

Meu coração
é livre como os
meus versos
e voa
alto por céus claros
embora tropece
às vezes
nas tortas calçadas
da vida.
Mas isso,
convenhamos,
não tem
a menor importância.

Márcia Maia

Rafiza Ribeiro | 08:33 |


Barbarella


Clique na figura para vê-la (bem) ampliada.

Rafiza Ribeiro | 08:22 |


4.12.02

Continuando

Ouça Experiência

Rafiza Ribeiro | 10:23 |


Experiência

era uma luz, um clarão,
um insight num blecaute.
éramos nós sem ação,
como quem vai a nocaute.
era uma revelação
e era também um segredo;
era sem explicação,
sem palavras e sem medo

era uma contemplação
como com lente que aumenta;
era o espaço em expansão
e o tempo em câmara lenta.
era tudo em comunhão
com o um e tudo à solta;
era uma outra visão
das coisas à nossa volta

e as coisas eram as coisas:
a folha, a flor e o grão,
o sol no azul e depois as
estrelas no preto vão.
e as coisas eram as coisas
com intensificação,
que as coisas eram as coisas
porém em ampliação

era como se as víssemos
entrando nelas então,
com sentidos agudíssimos
desvelando seu desvão,
indo por entre, por dentro,
aprendendo a apreensão
de tudo bem dês do centro,
do fundo, do coração.

era qual uma lição
del viejo brujo don juan;
uma complexa questão
sem nexo qual um koan;
um signo sem tradução
no plano léxico-semântico;
enigma, contradição
no nível de um campo quântico

era qual uma visão
de um milagre microscópico,
do infinito num botão,
e em ritmo caleidoscópico,
ciclos de aniquilação
e criação sucessiva,
átomos em mutação,
cósmica dança de shiva.

e as coisas ao nosso ver
davam no fundo a impressão
de ser de ser e não-ser
a sua composição;
como a onda tão etérea
e a partícula não tão
num ponto tal da matéria
tanto 'tão quanto não 'tão.

até que ponto resistem
a lógica e a razão,
já que nas coisas existem
coisas que existem e não?
o que dizer do indizível,
se é preciso precisão,
pra quem crê no que é incrível
não devanear em vão?

era uma vez num verão,
num dia claro de luz,
há muito tempo, um tempão,
ao som das ondas azuis.
e as coisas aquela vez
eram qual foram e são,
só que tínhamos os pés
um tanto fora do chão.

de chico césar e carlos rennó

Rafiza Ribeiro | 10:14 |


Lindo!

Depende de nós...

Rafiza Ribeiro | 02:35 |


O meu preferido

Apanhadas no chão, do preferido: Paulo Mendes Campos!

- De um amigo meu, no bar: "Trabalho tanto que não tenho tempo para nada; à noite, bebo um pouco para lembrar as minhas mágoas."

- De um vendedor de cinzeiros de barro em Belém: "Se eu escrever com C, em vez de S, ninguém vai comprar."

- De um conhecido meu, quando lhe disse que certo homem público, embora de poucas luzes, era grave e honesto: "O jumento também é grave e honesto."

- Do mais preto, passando por mim, quando o menos preto lhe disse que ele só pensava em mulher: "Ué, pensar então em quê?"

- De uma expressão mineira: "Fala mais que pobre na chuva."

- Do finado Humphrey Bogart: "Um homem está sempre duas doses abaixo do normal."

- De um forjador de provérbios: "Caranguejo idoso pensa muito e brinca pouco."

- De um velhinho, ante o ar conjectural do caixeiro, quando pediu na livraria um manual sobre limitação de filhos: "Não é para mim; é para papai."

- Do matuto para o médico: "Foi tiro e queda, doutor: a pílula desceu e parou direitinho na casa da dor."

- De um velho do interior ao provar soda pela primeira vez: "Tem um gostin de pé dormente."

- De Jaime Ovalle: "O importante não é saber se a pessoa gosta de uísque, mas se o uísque gosta da pessoa."

- De Camilo Paraguassu, em um poema: "Vista de Paquetá, a lua é linda."

- De Garrincha, muito absorto, meio segundo antes de ser dada a saída no jogo do Brasil com o selecionado soviético em 1958: "Olha ali, Nilton, aquele bandeirinha é a cara de seu Carlito..."

- Do mesmo, contando ao colega onde comprara uma gravata (Roma): "Foi naquela cidade onde seu Zezé levou aquele tombo no vestiário."

- Do mesmo para um companheiro de pelada: "Quer parar de driblar!"

- De Osvaldo Cabeça de Ovo, no dia em que seu time de areia perdia de cinco a zero: "Arrecui os arfe para invitar a catastre."

- Do treinador, também de praia, Trindade: "A missão do centrefór é atrapaiar os beque."

- De um outro treinador para o goleiro: "Carambolou, arreia."

- De um torcedor a meu lado, vendo uma jogada magistral do enciclopédia Nilton Santos, errando, paroxismado, na tônica: "Dá-lhe, catédra!"

- De Graciliano Ramos, quando ouviu pela primeira vez um rouxinol: "Eta passarinho chato!"

- Do cabo Firmino, na revolução de 30, promovido pelo comandante da Força Pública Mineira, por ato de bravura em batismo de fogo: "Uai, seu coronel, tava pensando que era manobra."

- De Hemingway sobre a famosa modelo Kiki de Montparnasse: "A única mulher que nunca dormiu em sua própria cama."

- De um estudante para mim: "Escritor é o Euclides! Olha só: O sertanejo é - vírgula! - antes de tudo - vírgula! - um forte! - ponto!"

Rafiza Ribeiro | 02:21 |


Novo layout e novo serviço de comentários.
Peço perdão àqueles que deixaram seus comentários ao longo desses meses, mas o Enetation estava deixando muito a desejar.

Rafiza Ribeiro | 02:07 |